Um ensaio sobre o futuro do bodyboard

oldschoolbodyboarders

Eu sou parte do fracasso. Eu sei que um dia o ego assumiu o controle e nós queríamos ser mais legais do que todo mundo.

Foi o maior erro que cometemos: foi o começo do fim.

Aqui está a história de como isso aconteceu.

No final dos anos 1980 e início dos anos 1990, o bodyboard explodiu na Europa. Meu querido amigo Michel Hoff o levou ao velho continente.

Foi o motor das primeiras competições na França, Inglaterra, Portugal e Espanha. O primeiro evento aconteceu nas Ilhas Canárias em 1986.

Michel viu um grande potencial em um esporte que acabara de explodir nos Estados Unidos.

Tom Morey inventou um novo maneira mais segura de navegarEvite painéis de fibra de vidro com ripas perigosas. Foi uma verdadeira revolução.

Como tudo na vida, este jogo ao ar livre se tornou um esporte.

Morey e depois a Kransco começaram a produção em massa de decks de bodyboard e alguns anos depois desenvolveram a primeira prancha com Slick Bottom “Ion Speed” – Mach 7-7.

Mas por que estou contando essa história?

Porque todos nós nos apaixonamos por esse esporte e ficamos cegos durante os treinos.

E com tudo o que está acontecendo na água, um novo esporte nunca é bem-vindo. Éramos um parasita invasor.

Certamente fomos mais longe e tivemos que provar que era um esporte em si, não uma tendência passageira.

Éramos bodyboarders – um esporte masculino, não um hobby para crianças.

De volta à gasolina

Percebo agora que, de certa forma, isso foi parte do erro que ainda não entendemos. Conseqüentemente, somos menos numerosos.

Na época de ouro, não existiam escolas de surf ou infraestrutura de praia.

Em La Cícer, nas Canárias, não havia avenidas ou apartamentos para alugar para ricos, apenas bairros abandonados.

Mas havia milhares de praticantes de bodyboard. A praia era colorida e uma energia viva se fazia sentir. A praia ficou lotada durante as competições.

Agora vem o problema.

Escolas de surf garantem que as crianças comecem com uma prancha. Ninguém faz perguntas, eles só precisam se levantar.

E com um fundamento perdido, o futuro é incerto.

Este fenômeno está acontecendo em todo o mundo e o bodyboard se tornou um cenário esportivo remanescente nos Estados Unidos. As coisas não parecem muito melhores na Austrália.

Na minha opinião, a estratégia de organizar Super World Tours e corridas Big Wave está completamente errada.

Para mim é muito claro: nada mudou nos últimos anos e o esporte está cada vez mais fraco.

O bodyboard foi inventado para tornar o surf fácil e divertido, e nunca deveríamos ter desistido desse conceito.

É um esporte que introduz o surf.

O bodyboard é para quem passa alguns dias do ano na praia e para crianças que às vezes brincam nas ondas.

Crianças devem bodyboarde é a única forma de trazer o esporte à tona.

Hoje ninguém – incluindo a APB, as federações nacionais ou mesmo os famosos pilotos locais – está criando uma base sólida para o nosso esporte.

Precisamos de mais competições para crianças pequenas, institutos, clínicas gratuitas e escolas de bodyboard.

Precisamos de coisas como as que vemos na foto acima: crianças com tesão indo para a praia em um colorido Mach 7-7, e menos ar, ARS e saltos para trás impulsionados pelo ego em ondas de dois metros em El Frontón.

Não estou dizendo que não precisamos disso; nós apenas precisamos de menos. Esquecemos o que somos, o que éramos e o que é essencial.

As associações nacionais, os pais de jovens bodyboarders, o APB e os organizadores devem focar no futuro. E o futuro, senhoras e senhores, é a base para meninos e meninas.

Eu acabei de ouvir. Eu vi a imagem acima e inventei.

Eu não quero ofender ninguém. Não é uma coisa pessoal: é um grito de socorro, uma ideia. Tudo pode ser melhorado neste mundo.

Textos de Ricardo Estupiñán | Bodyboarder

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